Disciplina:  Geografia crítica e ensino  (FLG 595)

Professor responsável:  José William Vesentini

1o Semestre de 2003 - Diurno e Noturno

 

I. OBJETIVOS:

 

1. Analisar o novo papel da escola e da Geografia escolar (no ensino elementar e médio) neste  início de  século, com os desafios postos pela Terceira Revolução Industrial e pela globalização;

2. Problematizar o ensino tradicional da Geografia, discutindo as perspectivas de uma Geografia escolar renovada ou crítica;

3. Avaliar criticamente as estruturas e os conteúdos do ensino da Geografia nos níveis elementar e  médio no  Brasil, confrontando  essa  realidade  com  as necessidades nacionais e com os objetivos da Geografia escolar;

4. Refletir sobre o problema do conteúdo da  Geografia escolar em função da realidade concreta do aluno nos planos  psicogenético, existencial e econômico-social;

5. Subsidiar o (futuro) professor de Geografia  para a elaboração de textos e outros materiais didáticos, assim  como  para planejar e operacionalizar estudos do meio e outras atividades educacionais tais como o uso da teatralização e/ou da música, do vídeo, dos computadores e suas redes, etc.

         

II. CONTEÚDO:

 

1. O papel tradicional da escola e do ensino da Geografia na sociedade moderna. A escola como reprodutora das relações de poder e como campo de lutas sociais;

2. As funções ideológicas da Geografia escolar e a problemática de um novo ensino crítico ou sócio-construtivista;

3. A renovação geográfica a partir do final dos anos 60; Geografia radical e crítica; As contradições e conflitos na Geografia escolar;

4. Análise de materiais didáticos, oriundos do Brasil e de outros países, tanto manuais como atlas, softwares, vídeos, obras paradidáticas etc;

5. A realidade brasileira e o ensino da Geografia; as diversidades regionais, culturais e econômico-sociais e o ensino da Geografia nos níveis elementar e médio;

6. Os conteúdos específicos do ensino da Geografia no Brasil; análise e discussão sobre alguns guias ou propostas curriculares do MEC e de Secretarias Estaduais da Educação; A problemática do “programa oficial” versus a liberdade de escolha do Professor e a realidade de suas escolas e alunos;

7. Alguns exemplos concretos de situações de aprendizagem e confecção de materiais didáticos alternativos;

8. O estudo do meio no ensino da Geografia: significado e potenciais.

 

III. METODOLOGIA:

  Aulas expositivas dialogadas;

  Seminários;

  Leitura, interpretação e discussão de textos selecionados;

  Análise crítica e debates sobre livros e demais materiais didáticos selecionados.

 

[NOTA: O curso divide-se em duas partes ou fases, uma teórico-metodológica e a outra prática. A primeira fase, que vai até o final de abril (quando haverá a prova), é preenchida por aulas expositivas dialogadas e debates sobre os textos obrigatórios. A segunda parte do curso, em maio e junho, compõe-se de seminários a serem apresentados por equipes com, no máximo, 5 alunos. Desde o início do curso (final de fevereiro) os alunos devem se organizar em grupos e pensar num tema a ser pesquisado e, na data oportuna, apresentado sob a forma de seminário: um tema em aberto, mas ligado a alguma experiência prática no ensino de geografia de 5a. à 8a. séries ou no ensino médio: por exemplo, como fazer um roteiro para um estudo do meio no local X com alunos de 5ª série; como utilizar corretamente algum vídeo ou filme; como usar os computadores ou a internet no ensino da Geografia; como trabalhar com fotos, com poemas ou com música; como levar os alunos a construir os conceitos de cartografia no ensino fundamental; como ensinar subdesenvolvimento (ou outro assunto) no ensino médio; etc.]

 

IV. AVALIAÇÃO:

 

1.      Uma Prova, a ser realizada no dia 30 de abril (= 40% da média);

 2.    Fichamento dos textos obrigatórios (5) e participação nos debates sobre os mesmos (= 10%   

        da   média);

3.      Pesquisa/seminário - parte escrita e participação (= 50% da média).

[Ou seja: a nota da prova (de 0 a 10) será multiplicada por 4, a nota do seminário (de 0 a 10) será multiplicada por 5 e esses dois números serão somados à nota dos fichamentos (de 0 a 10), resultando daí um valor (de 0 a 100) que será dividido por 10, resultando assim na  média final do aluno]

  

V. TEXTOS DE LEITURA OBRIGATÓRIA*:

 

[*Textos diferenciados, com diversas metodologias e temas, a serem lidos e fichados e principalmente debatidos/polemizados em aula.]

 

 1. LACOSTE, Yves. A Geografia - isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. Campinas, Papirus, 1988, capítulos selecionados, pp.21-35, pp.53-58 e pp.189-195. E também LACOSTE, Y. O ensino da Geografia. Curso proferido na Universidade de Salamanca, 1986, excertos selecionados e traduzidos.

 

2. Capítulos 4 e 5 do livro organizado por Jaques DELORS – Educação, um tesouro a descobrir , pp.89-117. 

 

3. Trechos selecionados do livro de Márcia RESENDE – A Geografia do aluno trabalhador,  SP, Loyola, 1986, especialmente pp.15-21 e pp.131-161.

 

4. GEBRAN, Raimunda  A presença de mecanismos alienantes no ensino de Geografia no 1o grau - análise do cotidiano. Texto mimeografado, inédito, 15 pgs.

 

5. VESENTINI, J.W. “Realidade e perspectivas do ensino da geografia no Brasil”. Texto mimeografado, inédito, a ser publicado na coletânea O ensino da geografia no século XXI, editora Papirus, Campinas, 2003, no prelo.

 

VI. BIBLIOGRAFIA:

 

ALMEIDA, R.D.de e PASSINI, E.Y. O espaço geográfico: ensino e representação. São Paulo, Contexto, 1989.

BOLETIM PAULISTA DE GEOGRAFIA. São Paulo, AGB-SP, n. 70, 2o Semestre de1991, com artigos sobre ensino de Chistian D.M.de Oliveira, Maria Elena Simielli, Nídia N.Pontuschka e outros.

CALLAI, H.C. e Outros. Geografia em sala de aula. Práticas e reflexões. Porto Alegre, FAURGS, 1999.

CARLOS, Ana Fani. (Org.). A geografia na sala de aula. São Paulo, Contexto, 1999.

CAVALCANTI, Lana de S. Geografia, escola e construção de conhecimentos. Campinas, Papirus, 1998.

DELORS, J. (Org.). Educação, um tesouro a descobrir. Brasília, MEC/UNESCO, 1998.

FREIRE, P., GIROUX, H. e Outros. Novas perspectivas críticas em educação. Porto Alegre, Artes Médicas, 1996.

GEBROU, R.A. Como o rio não cabia no meu mapa, resolvi tirá-lo... (O ensino da Geografia nas séries iniciais do 1o grau). Campinas, UNICAMP, Faculdade de Educação, dissertação de mestrado, 1990.

HARDWICK, Susan W. e HOLTGRIEVE, Donald G. Geography for educators. Standards, themes and concepts. New Jersey, Prentice Hall, 1996.  (Alguns trechos selecionados dessa obra – e traduzidos para o português - podem ser baixados do seguinte endereço da internet: www.geocritica.hpg.com.br/geocritica04.htm).

KAERCHER, Nestor A. Desafios e utopias no ensino da geografia. 3a. edição, Santa Cruz do Sul, Edunisc, 2001.

LACOSTE, Yves. La enseñanza de la geografía. Salamanca. Ediciones Universidad de Salamanca, 1986. (Alguns trechos selecionados dessa obra podem ser baixados in: www.geocritica.hpg.com.br/geocritica04.htm).

MEC. PCN’s – parâmetros curriculares nacionais. Terceiro e Quarto ciclo do ensino fundamental e Ensino Médio. Brasília, Secretaria de Educação Média e Tecnológica, 1998 e 1999.

MOLINA, Olga. Quem engana quem? Professor versus livro didático. Campinas, Papirus, 1987.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo, Cortez/Unesco, 2000.

MORIN, Edgar. (Org.). A religação dos saberes. O desafio do século XXI. RJ, Bertrand Brasil, 2002.

OLIVEIRA, Ariovaldo U.de (org.). Para onde vai o ensino da Geografia?  São Paulo, Contexto, 1989.

PÁTIO – Revista Pedagógica. Porto Alegre, Editora Artes Médicas, especialmente n.9, maio de 1999 (“Tecnologias educacionais”) e n.16, fevereiro de 2001 (“Educação – agenda para o século XXI”).

PONTUSCHKA, N.N. (Org.). Um projeto...tantas visões. Educação ambiental na escola pública. São Paulo, Lapech/AGB, 1996.

PONTUSCHKA, N.N. e OLIVEIRA, A.U.de. (Org.). Geografia em perspectiva. São Paulo, Contexto, 2002.

RESENDE, Márcia Spyer. A Geografia do aluno trabalhador. S.Paulo, Loyola, 1986.

ORIENTAÇÃO. São Paulo, Revista do Instituto/Depto.de Geografia da USP, todos os números editados até o momento.

TERRA LIVRE, São Paulo, Revista da AGB (Associação dos Geógrafos Brasileiros), coedição AGB/Editora Marco Zero, números 2, 3, 4, 7 e 14.

RIBEIRO, Luiz Antonio M. O estudo da população  nos livros didáticos de Geografia para a 5a série. S.Paulo, Depto.de Geografia da FFLCH-USP, dissertação de mestrado, 1987.

RUA, João. Em busca da autonomia na construçåo do conhecimento: o aluno e o livro didático de Geografia. S.Paulo, Depto.de Geografia da FFLCH-USP, dissertação de mestrado, 1992.

SUERTEGARAY. D. e Outros. Geografia e Educação. Geração de ambiências. Porto Alegre, Editora da Universidade, UFRGS, 2000.

TESHIMA, Lincoln S. Temas transversais: escola, ensino de geografia e homossexualidade. S.Paulo, Depto.Geografia/USP, TGI, 1999.

VÁRIOS AUTORES. Para ensinar geografia. Rio de Janeiro, Access, 1993.

VÁRIOS AUTORES. Qualificação profissional para o magistério. Rio de Janeiro, MEC, 1987, Integração Social, Livro 7.

VÁRIOS AUTORES. Ensinar e Aprender Geografia. Porto Alegre, AGB, 1998.

VLACH, Vânia. A propósito do ensino de Geografia: em questão o nacionalismo patriótico. S.Paulo, Depto.Geografia, FFLCH-USP, 1988, dissertação de mestrado.

TELLES, Norma A. Cartografia Brasilis ou: esta história está mal contada. S.Paulo, Loyola, 1984.

VESENTINI, J.W. (Org.). Geografia e Ensino. Textos críticos. Campinas, Papirus, 1989.

VESENTINI, J.W. Para uma geografia crítica na escola. São Paulo, Ática, 1992, Col.Fundamentos.

VESENTINI, J.W. O novo papel da Escola e do Ensino da Geografia na época da Terceira Revolução Industrial. In: Terra Livre, São Paulo, AGB, 1996, n.11-12, julho de 1996, pp.209-224.  (Texto disponível para download no seguinte site da internet:  www.geocritica.hpg.com.br/artigos.htm ).

VESENTINI, J.W. (Org.). O ensino da geografia no século XXI. Campinas, Papirus, 2003, no prelo.